EUA e OEA preocupados por ataque a líder opositor venezuelano Juan Guaidó

O governo dos Estados Unidos (EUA) e a Organização de Estados Americanos (OEA) manifestaram preocupação e solidarizam-se com o líder opositor venezuelano Juan Guaidó que no sábado foi atacado por alegados simpatizantes do regime do Presidente Nicolás Maduro.

“Estamos profundamente preocupados pelo ataque, não provocado, contra (…) Juan Guaidó e seus colegas. Este ataque atroz arriscou vidas”, expressou o subsecretário de Estado para os Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, na sua conta do Twitter.

Na mesma mensagem Brian Nichols sublinha que “os responsáveis pela agressão devem comparecer perante a justiça”.

Por outro lado, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, usou a mesma rede social para condenar o sucedido.

“Condenamos o ataque a Juan Guaidó (…) de sicários coletivos do regime. A sua integridade física deve ser respeitada. Condenamos qualquer forma de violência e de perseguição política executada pela ditadura”, afirmou Luís Almagro.

O líder político opositor venezuelano, Juan Guaidó, foi agredido sábado por alegados simpatizantes do chavismo, no Estado de Cojedes (310 quilómetros a sudoeste de Caracas), após ter visitado várias zonas rurais acompanhado por militantes do partido Vontade Popular, do qual fez parte no passado.

A agressão, segundo a imprensa local, teve lugar após entrar num restaurante onde foi recebido por simpatizantes do regime que lhe gritaram impropérios e foi empuxado, pelas costas, por uma das pessoas presentes.

Vídeos divulgados pela Internet dão conta do momento em que simpatizantes e opositores do Governo do Presidente Nicolás Maduro se enfrentam brevemente.

Os agressores causaram danos físicos no estabelecimento. A empurrões tiraram Juan Guaidó do restaurante e atiram várias cadeiras também contra a viatura em que circulava.

“Não nos vão afastar das ruas, vamos honrar o nosso compromisso de conseguir eleições livres”, escreveu Juan Gaidó, nas redes sociais.

“Factos como estes obrigam-nos a lutar ainda mais para conseguir prontamente eleições livres, justas e verificáveis na Venezuela, para que possamos finalmente alcançar a liberdade para o nosso país”, afirmou no Twitter.

Entretanto, a equipa de Juan Guaidó divulgou, através das redes sociais, várias fotografias do episódio, e identificando a ex-deputada do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), Nosliw Rodríguez, como “uma das líderes do ataque”.

“Isto desmantela a campanha mediática do regime de Maduro sobre alegados ataques dos opositores”, refere a equipa do líder opositor em uma das mensagens.

Entretanto, hoje, a Plataforma Unitária Democrática (PUD, que reúne os principais partidos opositores venezuelanos) emitiu um comunicado “condenando e repudiando contundentemente o ataque armado e os graves factos de violência” contra Juan Guaidó e acompanhantes.

“Acontecimentos como põe de manifesto a natureza do regime opressor que atualmente governa a Venezuela”, afirma a PUD.

A PUD afirma ainda que na Venezuela há mais de 200 presos políticos, civis e militares, que há uma complexa crise de serviços e humanitária, e “uma migração que atinge os níveis dos países em guerra”.

“Desde a PUD não cessaremos no nosso empenho para alcançar um acordo de unidade democrática, sob a proteção da Constituição, que garanta os direitos de todo o povo venezuelano. Estamos convencidos de que a prédica da violência está condenada ao fracasso, porque é estranha aos sentimentos da maioria dos venezuelanos”, conclui o comunicado opositor.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o então presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres e democráticas.

Mais de 50 países reconhecem Juan Guaidó.

FPG // SF

Lusa/Fim

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