Biden condena supremacismo branco em homenagem a vítimas de massacre racista

O Presidente norte-americano, Joe Biden, condenou veementemente “o veneno” do supremacismo branco e aqueles que contribuem para o espalhar, após um massacre racista que fez dez mortos no sábado em Buffalo, no nordeste dos Estados Unidos.

Naquela cidade do Estado de Nova Iorque, onde um jovem adepto de teorias da conspiração como a da “grande substituição” entrou num supermercado e abriu fogo indiscriminadamente, matando dez pessoas e ferindo outras três, Biden falou de um “ato de terrorismo”.

Referindo-se a essa tese racista da “grande substituição”, o Presidente, disse, em tom comovido e solene: “Apelo a todos os norte-americanos para rejeitarem essa mentira e condeno todos aqueles que a propagam para ganharem poder, votos, dinheiro”.

“Aqueles que afirmam amar a América alimentaram demasiado o ódio e o medo”, declarou ainda o democrata de 79 anos, sem contudo mencionar nomes ou filiações partidárias.

“Este veneno, esta violência não podem ser a história da nossa época”, defendeu, quando os Estados Unidos foram, nos últimos anos, palco de vários massacres de afro-norte-americanos, de judeus, de hispânicos.

Joe Biden apelou mais uma vez para a regulação de armas de fogo: “Não sou ingénuo. Sei que a tragédia se repetirá (…) mas há coisas que podemos fazer. Podemos proibir as armas de assalto nas nossas ruas”.

O democrata pede há muito ao Congresso para proibir as armas de assalto, mas deparou-se até agora com uma oposição republicana a qualquer tipo de regulamentação.

A organização Gun Violence Archive contabilizou já este ano mais de 200 “tiroteios com várias vítimas” nos Estados Unidos, nos quais pelo menos quatro pessoas foram feridas ou mortas, incluindo o perpetrado no sábado em Buffalo por Payton Gendron, um jovem branco de 18 anos que, antes do massacre, se apresentou como “fascista”, “racista” e “antissemita” num manifesto de 180 páginas.

O atirador de Buffalo, residente em Conklin, uma cidade 320 quilómetros a sudeste de Buffalo, foi detido sem direito a fiança sob a acusação de homicídio em primeiro grau.

Por este crime, pode ser condenado a prisão perpétua, uma vez que não há pena de morte no estado de Nova Iorque.

Os homicídios estão a ser considerados como tendo “motivação racial”, segundo a procuradoria distrital do condado de Erie, no norte do Estado de Nova Iorque, que segue assim a mesma tese do agente do FBI (polícia de investigação federal dos Estados Unidos) Steven Belanger, que classificou o tiroteio “como um crime de ódio e um caso de extremismo violento com motivações raciais”.

Gendron escolheu como alvo o ‘Tops Friendly Market’, um supermercado cerca de cinco quilómetros a norte do centro de Buffalo, por estar localizado num bairro habitado predominantemente por membros da comunidade negra. Das 13 vítimas, 11 eram negras.

Depois do tiroteio, em que também morreu um segurança do supermercado, o jovem entregou-se às autoridades, declarou-se inocente no primeiro interrogatório e aceitou um defensor público, afirmando não poder pagar um advogado particular.

Segundo testemunhas do ataque, o atirador usava roupa de estilo militar, um colete à prova de bala, um capacete e transportava uma espingarda. Os investigadores descobriram que o rapaz transmitiu o massacre em direto numa plataforma digital de ‘gaming’.

ANC (CAD/FP) // PDF

Lusa/Fim

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