Paulo Rangel apela à participação dos luso-americanos nas eleições intercalares dos EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros apelou à participação dos luso-americanos nas eleições intercalares de novembro, defendendo que a relevância política da comunidade depende tanto do voto, como da presença de candidatos de origem portuguesa em cargos públicos.

Em visita aos Estados Unidos, a propósito das eleições de quarta-feira para o Conselho de Segurança da ONU, nas quais Portugal é candidato, Paulo Rangel participou hoje numa reunião do Conselho Consultivo do Consulado Geral de Portugal em Nova Iorque a bordo do Navio-Escola Sagres, que está atracado no Pier 17, junto à baixa de Manhattan.

Faltando menos de meio ano para as importantes eleições intercalares norte-americanas, o ministro considerou essencial que os lusodescendentes participem na vida política americana, quer como eleitores, quer como candidatos, para garantir maior visibilidade e representação dos interesses da comunidade.

“É muito importante que todos os lusodescendentes e portugueses que podem participar nestas eleições [intercalares] que votem. A importância da comunidade portuguesa e da comunidade lusodescendente aqui nos Estados Unidos depende muito da sua relevância política. E, portanto, com a participação e com o voto, obviamente que eles aumentam imenso a sua importância”, afirmou Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas.

“Aquelas que serão as suas aspirações e os seus interesses serão mais defendidos pelos políticos americanos se perceberem que existe, obviamente, um público-alvo no eleitorado que tem esse traço de identidade portuguesa ou lusa”, acrescentou.

As eleições intercalares norte-americanas, agendadas para novembro, determinarão qual o partido que controlará o Congresso nos dois últimos anos do mandato do Presidente Donald Trump.

No entanto, nas intercalares não está só em causa o futuro do Congresso norte-americano, mas também do poder estadual e local, com vários candidatos luso-americanos na corrida eleitoral.

“Um ponto que eu acho que ainda é mais importante é que os portugueses participem também como candidatos. Isto é, que sejam capazes de se envolver na dinâmica política e cívica americana. Porque só com autarcas, deputados, senadores, procuradores, juízes, só com esses ativos, é que a visibilidade e as tais aspirações da comunidade portuguesa serão preenchidas”, disse ainda o chefe da diplomacia portuguesa.

Já sobre a reunião com o Conselho Consultivo, Rangel destacou que existe, da parte da comunidade portuguesa em Nova Iorque e Connecticut, uma perceção crescente de aproximação entre Portugal e os Estados Unidos, impulsionada pelo aumento do turismo norte-americano em Portugal, pelo investimento imobiliário e pelo reforço das relações económicas entre os dois países.

“A circunstância de haver muitos americanos turistas em Portugal, […] o facto de haver muitos que estão a comprar residência em Portugal, dá ao país uma visibilidade muito diferente daquela que tinha antes e faz com que a comunidade portuguesa quase que automaticamente também ganhe uma outra importância no contexto da vida dos Estados Unidos”, observou.

Entre as recomendações apresentadas no encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros salientou a necessidade de as empresas portuguesas olharem para os Estados Unidos numa lógica estadual ou regional, em vez de abordarem o mercado norte-americano como um todo.

Na área cultural, apontou o ensino da língua portuguesa como uma das principais preocupações da comunidade, reconhecendo que existe uma procura crescente pelo português, mas falta oferta, sobretudo devido à escassez de professores.

Por isso, acrescentou, o Governo está a reformar o regime jurídico do ensino português para tornar a carreira mais atrativa.

Paulo Rangel destacou igualmente a importância de fortalecer as ligações entre investigadores portugueses nos Estados Unidos e universidades e centros de investigação em Portugal, considerando a ciência um dos temas centrais das conversas mantidas.

Por fim, sobre a elevada abstenção dos emigrantes portugueses nas eleições em Portugal, admitiu que o voto eletrónico poderia aumentar a participação, mas alertou para os desafios de segurança e fiabilidade associados ao sistema.

MYMM // VAM

Lusa/Fim

(Visited 7 times, 7 visits today)

You might be interested in