Trump diz que não receia prisão domicilária após condenação no caso Stormy Daniels

O ex-presidente norte-americano Donald Trump afirmou hoje que não receia uma pena de prisão domiciliária ou de liberdade condicional, após ter sido considerado culpado de 34 crimes de falsificação de documentos por esconder pagamentos à atriz pornográfica Stormy Daniels.

“Estou bem com qualquer coisa”, disse o político republicano em entrevista divulgada hoje pelo programa matinal Fox and Friends, da Fox News, declarando que não tem medo da sentença que o juiz nova-iorquino Juan Merchan vai ler no dia 11 de julho.

Trump foi considerado culpado pelo júri de todas as acusações de falsificação de documentos em 2016, com a intenção de influenciar o processo eleitoral que o levou à Casa Branca.

“Essas pessoas estão doentes, estão perturbadas. Falamos sobre o inimigo externo e o inimigo interno. Você tem a China ou a Rússia, mas se for um presidente inteligente, poderá geri-los facilmente. Mas o inimigo interno está a causar muitos danos ao nosso país”, afirmou Trump, mais provável candidato republicano às presidenciais norte-americanas, marcadas para novembro, nas quais voltará a defrontar o democrata Joe Biden.

Concretizando a referência ao “inimigo interno”, criticou uma política de “fronteiras abertas, taxas de juros altas e impostos quadruplicados”.

Donald Trump foi condenado na quinta-feira por falsificação de documentos para encobrir um escândalo sexual num julgamento sem precedentes contra um ex-presidente dos Estados Unidos.

Dentro de algumas semanas, o juiz deverá definir a sentença, que poderá ser de prisão, uma vez que a falsificação de documentos contabilísticos é punível com pena de até quatro anos de cadeia, no estado de Nova Iorque.

Contudo, na ausência de antecedentes criminais do arguido de quase 78 anos, o juiz pode aliviar a sentença, com uma pena suspensa com liberdade condicional ou serviço comunitário, bem como uma multa.

Em qualquer caso, Donald Trump poderá recorrer, com provável efeito suspensivo da sua pena, nomeadamente em caso de prisão.

Na entrevista, gravada no sábado, Trump recusou-se a confirmar se manterá a sua recusa em usar o Departamento de Justiça para atacar rivais políticos.

“O Partido Republicano tem de ficar unido neste caso. Viram o que é a instrumentalização do Departamento de Justiça e do FBI. Isso vem de Washington”, disse Trump, que no sábado esteve num “banho de multidão” numa luta do UFC em Nova Jersey.

“Essa instrumentalização é algo muito perigoso. Nunca tivemos isso no nosso país. Acontece noutros países, em países da América do Sul”, comentou.

Quando questionado sobre a mensagem para os hispânicos nos Estados Unidos, que consideram que o país tem problemas de independência judicial semelhantes às nações que deixaram para trás, Trump respondeu que essa comunidade apoia-o e compreendem-no.

“São boas pessoas, empreendedores e com muita energia. Sempre gostaram de mim e eu sempre gostei deles. Tive bons resultados com eles. Em 2016, ganhei toda a fronteira do Texas [com o México]”, disse Trump.

O ex-presidente republicano venceu alguns condados fronteiriços com o México, que costumavam votar nos democratas, no entanto, a fronteira com o Texas votou na altura esmagadoramente na democrata Hillary Clinton.

As sondagens eleitorais deste ano sugerem, porém, que Trump está a ganhar apoio entre os hispânicos contra o Presidente democrata Joe Biden.

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Lusa/Fim

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