Secretário de Estado diz que Portugal deve encarar diáspora como ativo estratégico

O secretário de Estado das Comunidades defendeu em Toronto uma nova visão da diáspora, considerando que Portugal deve deixar de olhar as comunidades apenas da “perspetiva da saudade”, mas também como ativo estratégico para o desenvolvimento do país.

Em declarações à Lusa durante as celebrações da Semana de Portugal organizadas pela Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), Emídio Sousa, afirmou, no sábado, que as comunidades portuguesas representam hoje uma dimensão fundamental da presença de Portugal no mundo.

“Durante muitos anos olhámos para as comunidades numa perspetiva de saudade. Essa componente continua a ser importante porque representa as nossas raízes, a nossa cultura e a nossa identidade. Mas hoje existe uma nova perceção de que as comunidades são também um ativo estratégico para Portugal”, afirmou.

Segundo o governante, a transformação tecnológica, a facilidade das comunicações e a crescente mobilidade internacional alteraram profundamente a relação entre Portugal e os portugueses residentes no estrangeiro.

“O conceito de distância mudou completamente. Hoje falamos online a qualquer hora e em poucas horas estamos em Portugal. O mundo tornou-se muito mais próximo”, disse.

Foi neste contexto que enquadrou o conceito de “Portugal Nação Global”, uma visão que procura reforçar as ligações entre Portugal e os milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo.

“O tempo é de aproveitarmos as comunidades que temos espalhadas por 178 países. É um ativo estratégico ligado pela língua, pela cultura. Perceber este ativo estratégico numa economia global pode ser um grande trunfo para Portugal”, defendeu.

Para Emídio Sousa, Portugal não deve ser visto apenas como um país de cerca de 10 milhões de habitantes, mas como uma realidade muito mais vasta, constituída por milhões de portugueses e lusodescendentes residentes nos cinco continentes.

“Portugal Nação Global é um conceito de ligação às pessoas, às comunidades e aos territórios. É uma mudança de paradigma na forma como olhamos para os portugueses que vivem fora do país”, afirmou.

O secretário de Estado adiantou que o Governo pretende desenvolver uma plataforma digital destinada a aproximar a diáspora de instituições públicas, empresas e oportunidades de investimento em Portugal.

“O objetivo é abrir portas. Muitas vezes existe vontade de investir ou colaborar com Portugal, mas nem sempre se sabe com quem falar ou como avançar”, explicou.

Segundo Emídio Sousa, a iniciativa pretende também reforçar a ligação entre investidores da diáspora e os municípios portugueses, considerados interlocutores privilegiados para concretizar projetos económicos em território nacional.

Questionado sobre o papel dos órgãos de comunicação social das comunidades portuguesas, o secretário de Estado apelou para a preservação da língua portuguesa e para o fortalecimento dos laços entre os portugueses espalhados pelo mundo.

“O melhor papel que podem desempenhar é manterem as suas raízes, a sua cultura, a sua língua e o orgulho em ser português”, afirmou.

O secretário de Estado falava à Lusa no âmbito de uma visita oficial de três dias a Toronto, durante a qual participou em reuniões sobre a promoção da língua portuguesa no Canadá, na entrega dos prémios do Portuguese Heritage Essay Contest da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos e na atribuição das Medalhas de Mérito das Comunidades Portuguesas a Joel Filipe, Lena Barreto, Cristina Martins e Aida Jordão.

A agenda incluiu ainda visitas à Luso Canadian Charitable Society, à empresa Torlys Flooring, onde distinguiu o empresário Aníbal Claudino, e à cadeia Távora Foods, onde entregou uma Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas a Paulo Távora.

Emídio Sousa participou igualmente na inauguração do mural “Conceição”, homenagem à mulher portuguesa emigrante no Little Portugal, reuniu-se com os Conselheiros das Comunidades Portuguesas na Casa do Alentejo, marcou presença na Parada da Semana de Portugal e no Festival “Raízes do Nosso Povo”, iniciativas integradas nas celebrações organizadas pela ACAPO.

Já no final da visita, o governante fez um balanço positivo da deslocação ao Canadá.

“Há aqui uma portugalidade, uma paixão pela nossa cultura e pela nossa maneira de ser que obviamente nos toca profundamente e que me sensibiliza particularmente”, afirmou.

Após concluir o programa oficial em Toronto, Emídio Sousa viajou para Newark, nos Estados Unidos, para participar na Grande Parada do Dia de Portugal.

Segundo os dados do Recenseamento do Canadá de 2021, mais de 448 mil canadianos declararam ascendência portuguesa, fazendo da comunidade luso-canadiana uma das maiores diásporas portuguesas no mundo.

Em 2017, o Parlamento do Canadá aprovou uma moção que instituiu oficialmente o mês de junho como Mês do Património Português, reconhecimento do contributo histórico, económico, social e cultural dos portugueses e lusodescendentes para a sociedade canadiana.

SEYM // CAD

Lusa/Fim

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