Covid-19: Bruxelas espera “reciprocidade” dos EUA nas viagens não-essenciais

A Comissão Europeia afirmou hoje esperar “reciprocidade” das autoridades norte-americanas no que se refere às viagens de cidadãos entre os dois blocos, após ter incluído os Estados Unidos na lista de países que podem entrar em território comunitário.

“Fizemos a nossa parte, e achamos que agora as condições estão reunidas para haver reciprocidade. A boa notícia é que temos o mesmo tipo de vacinas dos dois lados do Atlântico, sabemos que estão a funcionar, e esperamos que haja esta reciprocidade o mais cedo possível”, sublinhou o comissário com a pasta do Mercado Interno, Thierry Breton.

Breton falava numa conferência de imprensa após a reunião semanal do colégio de comissários, tendo salientado que o levantamento das restrições que impedem as viagens de passageiros europeus para os Estados Unidos seriam “boas notícias” para os cidadãos do bloco, mas também para os “amigos americanos, para o mercado interno, e para as épocas turísticas”.

A seu lado, o vice-presidente da Comissão Europeia para a Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, referiu que, durante a reunião ministerial de Justiça e Assuntos Internos UE-EUA – que juntou na terça-feira, em Lisboa, os ministros de Justiça e de Assuntos Internos da UE com os seus homólogos norte-americanos -, a questão da reciprocidade neste aspeto esteve no “centro das discussões”.

“Insistimos que a narrativa de que a ‘América está de volta’ e que a revitalização da parceria transatlântica não deve ser reservada a políticos, oficiais, diplomatas ou generais. Há uma dimensão antropocêntrica importante para a relação transatlântica, uma dimensão de contacto entre as pessoas, e nós já fizemos a nossa parte”, apontou.

Relembrando assim que, na semana passada, a Comissão Europeia acrescentou os Estados Unidos à lista de países cujos cidadãos podem fazer viagens não essenciais para o espaço europeu, Schinas acrescentou ainda que a Europa “é atualmente o continente mais vacinado no mundo” e “desenvolveu um certificado digital em tempo recorde que comprova, de maneira credível, que o viajante não constitui um risco para outros”.

“Apelámos aos nossos interlocutores [norte-americanos] para que levassem de volta esta mensagem para os Estados Unidos e devo dizer que ambos foram recetivos e abertos. (…) Por isso, temos esperança de que em breve possamos ter boas notícias sobre este assunto”, frisou Schinas.

Thierry Breton abordou ainda as restrições dos Estados Unidos no que se refere à exportação de componentes essenciais para a produção das vacinas, para referir que, nesse aspeto, “não se vê reciprocidade” e relembrar que a União Europeia (UE) é o “único” bloco que tem tentado vacinar todos “os seus Aliados” e “até mais”.

“Esperemos que levantem [as proibições de exportações] brevemente porque é muito importante para nós, mas também para o resto do mundo, porque o resto do mundo hoje está dependente de nós, e ainda não dos nossos amigos americanos”, salientou.

Em 18 de junho, o Conselho da UE acrescentou os Estados Unidos à lista de países e territórios cujos cidadãos podem fazer viagens não-essenciais para território comunitário.

Devido à pandemia da covid-19, a UE fechou as suas fronteiras externas em março de 2020 a viagens não essenciais.

Entretanto, foi elaborada uma lista restrita, revista a cada duas semanas e atualizada quando se justifica, dos países terceiros cujos residentes são autorizados a viajar para a UE, com base em critérios epidemiológicos, testes realizados, e agora tendo também em conta a campanha de vacinação.

Em 20 de maio, o Conselho adotou uma recomendação de alteração para responder às campanhas de vacinação em curso, introduzindo certas derrogações para as pessoas vacinadas e flexibilizando os critérios de levantamento das restrições para os países terceiros.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.875.359 mortos no mundo, resultantes de mais de 178,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. 

Em Portugal, morreram 17.074 pessoas e foram confirmados 866.826 casos de infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde. 

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China. 

TEYA (IG) // FPA

Lusa/Fim

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