Biden reconhece que a sua reforma da lei eleitoral pode ser reprovada no Senado

O Presidente dos EUA, Joe Biden, disse hoje que “não tem certeza” de que a sua reforma da lei eleitoral possa ser reprovada no Congresso, quase reconhecendo a derrota da estratégia dos democratas.

Biden falava hoje no Capitólio, depois de uma senadora democrata, Kirsten Sinema, ter anunciado dramaticamente a sua recusa em concordar com as mudanças das regras internas do Senado, propostas pelo seu partido, para ultrapassar um bloqueio pelos republicanos de uma reforma eleitoral.

Nos últimos dias, Biden envolveu-se pessoalmente para conseguir a aprovação dos dois projetos de lei sobre os direitos de voto das minorias.

O Congresso não tem conseguido avanços na discussão destas propostas, por causa do bloqueio da totalidade da bancada republicana no Senado, que se opõe aos planos democratas.

As regras atuais exigem 60 votos para conseguir aprovar a maior parte da legislação – um limite que os democratas do Senado não podem cumprir sozinhos, já que apenas dispõem de uma “maioria” de 50 a 50, com a vice-Presidente, Kamala Harris, a desempatar com o seu voto de qualidade.

Contudo, para além da oposição republicana, na bancada democrata, nem todos os senadores estão de acordo com a mudança das regras de bloqueio de legislação.

Hoje, Biden foi ao Capitólio para tentar unir os senadores democratas à volta desta proposta de alteração das regras do Senado, mas deparou com a resistência de parte da sua bancada, levando-o a admitir que poderá não conseguir fazer passar as suas ideias.

Sem a alteração das regras do Senado, os democratas dificilmente conseguirão fazer aprovar os dois projetos de lei que procuram favorecer o acesso ao voto por parte das minorias.

“Uma coisa é certa, como todos os outros grandes projetos de direitos civis que surgiram, se erramos na primeira vez, podemos voltar e tentar uma segunda vez”, disse Biden no final do seu encontro no Capitólio.

Vários senadores democratas, em particular Kirsten Sinema, mostraram o seu desagrado com a possibilidade de alterar as regras do Senado, considerando que essa não pode ser a solução para fazer passar as propostas legislativas do seu partido.

“Devemos lidar com a doença em si, a doença da divisão, para proteger a nossa democracia”, disse Sinema, uma senadora eleita pelo estado do Arizona.

Esta postura de vários senadores democratas obrigou Biden a sair do Capitólio com as mãos vazias relativamente à sua estratégia de união da bancada do seu partido.

O Presidente falou por mais de uma hora em particular com os senadores democratas mais desconfortáveis com a proposta da Casa Branca, incluindo Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, que também se opõe a mudanças nas regras do Senado.

Desde que assumiram o controlo do Congresso e da Casa Branca, no ano passado, os democratas prometeram neutralizar uma onda de novas leis estaduais, inspiradas nas falsas alegações do ex-presidente Donald Trump de que as eleições tinham sido “roubadas”.

Mas estes esforços foram travados no Senado, profundamente dividido, onde Biden precisaria de cativar votos dos republicanos, mas onde nem sequer conseguiu o pleno na bancada democrata.

Na terça-feira, Biden fez um discurso inflamado, em Atlanta, comparando os opositores à legislação a figuras históricas racistas e dizendo aos senadores renitentes que serão “julgados pela História”.

Perante a incapacidade de alterar as regras do Senado, os democratas analisam agora uma estratégia para contornar o bloqueio dos republicanos, tentando forçar um confronto dos adversários políticos com a opinião pública, alegando que é preciso tornar a democracia norte-americana mais transparente, incluindo o mais fácil acesso ao voto por parte das minorias.

Contudo, os republicanos já disseram que não estão disponíveis para modificar as leis eleitorais, considerando que a estratégia da Casa Branca é um “exagero de interferência federal”, que infringe a autonomia dos governos estaduais para conduzir as suas eleições.

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Lusa/Fim

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