Atriz Maggie Gyllenhaal reconhece “problema sistémico” para mulheres que fazem cinema

A atriz e realizadora norte-americana Maggie Gyllenhaal, que preside ao júri do Festival de Cinema de Veneza (Itália), reconheceu hoje que existe “um problema sistémico” de desigualdade de oportunidades para as mulheres que fazem cinema.

“Eu diria que existe um problema sistémico. Acredito, sinceramente, que é muito mais difícil as mulheres conseguirem financiamento para os seus filmes”, disse Maggie Gyllenhaal numa conferência de imprensa, no arranque do festival.

Tendo ao seu lado o diretor artístico do festival, Alberto Barbera, Maggie Gyllenhaal questionou-se por que razão “os temas sobre os quais as mulheres querem fazer filmes, tendo em conta que elas vivem o mundo de forma diferente [dos homens], não seriam igualmente tidos em consideração?”.

“Quem decide o que é bom? Quem decide o que tem valor?”, perguntou.

A 83.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que hoje começa, foi criticada por ter apenas dois filmes realizados por mulheres na competição oficial: “Woman unknown”, de May el-Toukhy, e ‘Naza’, de Rachel Szor, em correalização com Yuval Abraham.

Em julho, quando apresentou a programação oficial, Alberto Barbera disse que que menos de um quarto dos filmes apresentados ao comité de seleção tinham sido realizados por mulheres.

“A qualidade dos que vimos não nos permitiu colocá-los em competição”, disse, citado pela Agência France-Presse.

Hoje na conferência de imprensa, também abordado pelo eventual pendor mais político dos filmes escolhidos, o diretor artístico garantiu que “o único requisito é a qualidade e a complexidade de uma obra”.

“Temos muitos filmes que abordam temas da atualidade, talvez porque a maioria dos realizadores tem uma sensibilidade especial e não quer refugiar-se em mundos de fantasia, prefere enfrentar questões dramáticas num momento particularmente difícil”, disse.

Maggie Gyllenhaal considera que não há “qualquer tema ou cineasta que não deva ser ouvido” e deixa ainda uma pergunta de retórica à imprensa: “ Como é possível estarmos neste preciso momento aqui a falar de cinema, quando o mundo se encontra em estado de emergência?”.

O júri da 83.ª edição do festival integra as realizadoras Kaouther Ben Hania e Shahrbanoo Sadat, o compositor Daniel Blumberg, os realizadores Xavier Giannoli e Johnnie To e o académico de cinema Francesco Casetti.

SS // MAG

Lusa/fim

(Visited 9 times, 9 visits today)

You might be interested in