Afeganistão: EUA vão doar 265 ME este ano para ajuda inicial contra crise humanitária

Os Estados Unidos da América (EUA) comprometeram-se hoje a disponibilizar este ano uma ajuda de cerca de 265 milhões de euros para o Afeganistão, depois da ONU ter lançado um apelo para que fossem feitas doações.

O valor, que constitui uma primeira fração de um montante mais elevado, visa ajudar prioritariamente na alimentação, na saúde e na proteção contra o inverno rigoroso, disse a Agência dos EUA para a Assistência Internacional (USAID, na sigla em inglês), em comunicado hoje divulgado.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, tem sido acusado de ter acelerado a ascensão dos talibãs ao poder ao apressar o fim da presença militar internacional no território afegão.

Os talibãs conquistaram a capital afegã, Cabul, em meados de agosto do ano passado, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO, presentes no país desde 2001.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada por Washington contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, cérebro dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

O país vive, desde então, uma crise humanitária e financeira que já tinha levado, em outubro passado, os líderes do G20 (as 20 maiores economias do mundo) a prometer mil milhões de euros para a ajuda e a luta contra o terrorismo na região.

A ONU e organizações do seu sistema lançaram hoje planos conjuntos de ajuda humanitária de emergência para abranger 22 milhões de pessoas no Afeganistão (mais de metade da população do país), bem como 5,7 milhões de afegãos deslocados e às comunidades locais que os acolhem em cinco países vizinhos.

Segundo um comunicado conjunto do Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), “os planos combinados de resposta humanitária aos refugiados necessitam de mais de cinco mil milhões de dólares [4,4 mil milhões de euros] de financiamento internacional em 2022”.

Os dois organismos da ONU sublinharam que “o povo afegão enfrenta uma das crises humanitárias com crescimento mais rápido do mundo: metade da população encontra-se afetada pela fome, mais de nove milhões de pessoas estão deslocadas, milhões de crianças não estão escolarizadas, os direitos fundamentais das mulheres e das meninas estão a ser atacados, os agricultores e os criadores de gado lutam contra a pior seca em décadas e a economia está em queda livre”.

“Sem apoio, dezenas de milhares de crianças correm o risco de morrer de subnutrição, devido ao colapso dos serviços de saúde básicos”, frisaram as organizações no documento.

Apesar de o conflito se ter atenuado, prosseguem as entidades, “a violência, o medo e as privações continuam a levar os afegãos a procurar asilo e segurança além das fronteiras do seu país, nomeadamente no Irão e no Paquistão”.

“Mais de 2,2 milhões de refugiados registados e quatro milhões de afegãos de diferentes classes sociais foram acolhidos nos países vizinhos”, uma situação que “está a pôr à prova duramente as capacidades das comunidades que os acolhem, que também precisam de apoio”, explicaram.

PMC (ANC) // SCA

Lusa/Fim

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