11 Set/25 anos: Luso-americano luta para que “mundo não esqueça” atentados
O jornalista Henrique Mano, editor do jornal Luso-Americano de Newark, tenta agora, 25 anos após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, confirmar a identidade de uma eventual 10.º vítima portuguesa.
Henrique Mano foi um dos primeiros jornalistas portugueses a chegar à baixa de Manhattan, em Nova Iorque, logo no dia seguinte à queda das Torres Gémeas do World Trade Center, depois de dois aviões comerciais sequestrados por terroristas da Al-Qaida terem embatido propositadamente contra os edifícios.
Em entrevista à Lusa, recordou o “grande estado de choque” que se instalou na cidade e o trabalho jornalístico que desenvolveu junto da comunidade portuguesa que vivia no entorno daquele complexo empresarial, através do qual percebeu a possibilidade de existirem vítimas luso-americanas.
“Durante essas entrevistas, soube que estava [desaparecido] um rapaz português que trabalhava para a Cantor Fitzgerald, uma empresa financeira que perdeu quase 700 funcionários nesse dia”, disse.
“Era o António Rocha. Os pais viviam em Manhattan, ele já se tinha mudado para Nova Jérsia (…) e estava desaparecido. Ninguém sabia se tinha morrido, se não tinha. Portanto, foi o que nos levou a pensar no jornal: sendo que a maior parte das vítimas vivia em Nova Jérsia, era muito possível que existissem outras [vítimas portuguesas]. E realmente existiam”, observou o editor.
Henrique Mano e a restante equipa do jornal Luso-Americano auxiliaram na identificação das nove vítimas portuguesas e lusodescendentes dos atentados, ajudando a compor uma lista oficial que até hoje é usada pelas autoridades portuguesas e norte-americanas.
Oito vítimas portuguesas foram identificadas nos dias a seguir ao atentado, sendo que o nome de um lusodescendente de Massachusetts só foi apurado um ano após os ataques.
Todas do sexo masculino: João Aguiar Jr., Carlos da Costa, Dennis Gomes, Mark Jardim, Christopher Mello, Manuel da Mota, António Rocha, Raymond Rocha e António Rodrigues.
No entanto, Henrique Mano disse acreditar que possa existir uma 10.º vítima portuguesa: uma mulher, cujo apelido de solteira é Barbosa e de casada é Costa.
“Entretanto, há um nome português que nós estamos [a investigar]. A confirmar-se seria a única mulher deste grupo e passariam a ser dez [vítimas]. Mas está a ser muito complicado [confirmar]”, afirmou.
“Ela vivia em Nova Jérsia, tinha nascido em Brooklyn e a família é de Brooklyn, mas a mãe possivelmente já morreu porque tinha 80 anos à altura dos atentados. Não tem sido fácil. Eles não tinham filhos. A nossa esperança é conseguir falar com o marido. Curiosamente, ela tem um apelido português, Barbosa, e o marido é Costa”, acrescentou Henrique Mano.
Questionado sobre o momento mais difícil e que não esquece 25 anos após os ataques, o jornalista indicou o contacto com as famílias, “sobretudo com as viúvas”.
“Eu tenho ainda vívida a memória, como se tivesse sido ontem, de ter ido a uma estação de comboios em Long Island buscar a fotografia do António Rodrigues, que era polícia da autoridade portuária. Lembro-me como se fosse hoje da mulher, a Cristina Alexandre Rodrigues, trazer uma fotografia dele fardado, ainda de polícia de Nova Iorque (NYPD)”, lembrou.
António Rodrigues tinha 35 anos quando entrou nas Torres Gémeas, no dia 11 de setembro de 2001, integrado num dos últimos contingentes de polícias da Port Authority Police Department (PAPD) a chegar ao World Trade Center.
Segundo os relatos oficiais, Rodrigues morreu instantaneamente quando vigas de ferro se desprenderam e desabaram sobre ele.
Rodrigues “tinha sido da NYPD e depois pediu para se transferir para a polícia portuária porque pensava que era mais seguro, mas viu-se que afinal não era”, constatou Henrique Mano.
Apesar de já ter falado com vários familiares das vítimas lusas, o jornalista nunca conseguiu entrevistar nenhum filho dos que morreram naquele dia.
“Há vários órfãos de pai, luso-americanos, como resultado dos atentados, mas eu nunca consegui falar com nenhum. Mas falar com as viúvas, com os pais e com uma irmã que, entretanto se mudou para Portugal, foi muito difícil, mesmo muito difícil”, concluiu.
No dia 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al-Qaida, tendo dois aparelhos colidiram intencionalmente contra as Torres Gémeas do World Trade Center, Nova Iorque, que ruíram duas horas após o impacto.
O terceiro avião de passageiros colidiu com o edifício do Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, condado de Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington D.C..
O quarto avião caiu num campo no estado da Pensilvânia, depois de alguns passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controlo do aparelho.
Não houve sobreviventes entre os passageiros dos aviões, sendo que, no total, os ataques fizeram mais de três mil mortos.
MYMM // EJ
Lusa/Fim