11 de Setembro: Luso-americano luta para que “mundo não esqueça” atentados de há 25 anos
O luso-americano Renato Baptista é diretor de operações do Museu do 11 de Setembro e, 25 anos após os ataques terroristas que mataram quase três mil pessoas, continua a trabalhar para que “o mundo não esqueça” esse dia.
Em entrevista à Lusa, Baptista reconheceu que trabalhar diariamente na zona do World Trade Center, em Nova Iorque, e contactar todos os dias com o que restou dos atentados, não implica que ainda hoje tenha pensamentos constantes sobre aquele 11 de setembro de 2001, embora admita que nem sempre foi assim.
No entanto, há um episódio, que se repete todos os anos, que não esquece e que envolve um jovem que perdeu o pai nos ataques.
“Todos os anos há um rapaz, que não sei bem a idade dele agora, mas lembro-me dele pôr sempre uma nota [carta] ao pé do nome do pai dele. E, nessa nota, descreve sempre ao pai onde é que ele está na vida: a fazer a graduação do liceu, a ir para a universidade, etc”, recordou.
“Eu nunca conheci esse rapaz. Espero um dia ainda o ver, até pode ser este ano. Gostaria de o conhecer. Mas é o que mais me marca, mais me corta o coração, é ver aquela nota desse rapaz”, contou o luso-americano.
Renato Baptista nasceu na cidade de Mount Vernon, no estado de Nova Iorque e é filho de emigrantes do distrito de Leiria.
A sua formação é na área de contabilidade, mas, cansado de “trabalhar longas horas” nesse setor, decidiu aproveitar a oportunidade que lhe foi apresentada por um outro português, o arquiteto Luís Mendes, que à data ocupava uma posição de chefia na Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsia, para trabalhar no Museu e Memorial do 11 de Setembro.
Começou como assistente de operações, mas rapidamente chegou ao cargo de diretor de operações, manutenção e instalações daquele que é o principal espaço de memória e homenagem às vítimas dos ataques perpetrados por terroristas da Al-Qaida.
O Memorial está localizado no exato lugar onde antes ficavam as Torres Norte e Sul, atingidas pelos aviões comerciais sequestrados por terroristas da Al-Qaida, e apresenta duas piscinas gémeas com cascatas, cercadas por parapeitos de bronze com os nomes das vítimas inscritos.
O Museu fica no subsolo e conta a história dos ataques através de objetos, fotografias, vídeos, testemunhos e elementos recuperados dos destroços.
O complexo também aborda o ataque de 26 de fevereiro de 1993 ao World Trade Center, quando uma pequena célula terrorista fez explodir um camião armadilhado na garagem subterrânea da Torre Norte.
O Museu e Memorial são lugares de lembrança e contemplação no meio da agitação da região sul de Manhattan.
O trabalho de Renato Baptista aborda contabilidade, auditoria e orçamentos, mas, de todas as funções que desempenha, considera de maior importância a manutenção do interior e exterior do Museu.
“Esse é que é o meu grande prazer: de mostrar que se mantém limpo e com respeito”, disse à Lusa.
Baptista defendeu que esta “é uma memória que nunca se vai esquecer, uma memória que não se deve esquecer”, fazendo questão de recordar também as vítimas posteriores aos ataques, como os “trabalhadores de resgate que hoje estão a morrer devido ao que aqui aconteceu, devido aos ares que diziam que estavam limpos, mas que não estavam”.
“O 11 de setembro não terminou no 11 de setembro, continua. (…) O nosso objetivo aqui no museu é manter essa memória sempre viva: sem que os americanos e o mundo se possam esquecer”, sublinhou.
Numa entrevista antes de se assinalarem 25 anos da data trágica, Renato indicou que o Museu se está a preparar para uma cerimónia na sexta-feira com os familiares das vítimas, que contará ainda com a presença de todos os ex-presidentes norte-americanos vivos e do atual vice-presidente, JD Vance.
A cidade prepara-se para esta data “com uma segurança muito mais elevada” do que em anos anteriores, não só pela presença das figuras políticas de relevo, mas também devido “à guerra com o Irão”, que acrescentou um novo grau de “insegurança no mundo”, explicou o diretor luso-americano.
No dia 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al-Qaida, sendo que dois aparelhos colidiram de forma intencional contra as Torres Gémeas do World Trade Center, Nova Iorque, que ruíram duas horas após o impacto.
O terceiro avião de passageiros colidiu com o edifício do Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, condado de Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington.
O quarto avião caiu num campo no estado da Pensilvânia, depois de alguns passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controlo do aparelho.
Não houve sobreviventes entre os passageiros dos aviões, sendo que, no total, os ataques fizeram mais de três mil mortos.
*Foto: Jornal Luso-Americano
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