Rússia vê “histeria” nas acusações dos Estados Unidos em relação à Ucrânia

A Rússia acusou hoje de “histeria” norte-americana as acusações de Washington que no sábado disse estar “seriamente preocupada” com as ações e declarações deste país em relação à Ucrânia, onde as tensões estão a aumentar.

“Esta histeria é criada de forma artificial. Aqueles que trouxeram as suas forças armadas do outro lado do Atlântico, ou seja, dos Estados Unidos, acusam-nos de atividades militares não comuns no nosso território”, disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, numa entrevista no programa de televisão Moscow.Kremlin.Putin.

Peskov considerou ainda que esta atitude “não é muito lógico e não é muito decente”.

No sábado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, reiterou que os Washington têm “sérias preocupações sobre as atividades militares não comuns da Rússia na fronteira com a Ucrânia”.

“Estamos realmente preocupados com parte da retórica que vemos e ouvimos quer da Rússia, quer nas redes sociais”, disse Blinken, numa conferência de imprensa em Dacar, no Senegal, lembrando também que as preocupações eram “amplamente partilhadas” pelos aliados dos Estados Unidos.

Por sua vez, Peskov exortou hoje “os Estados Unidos e seus aliados” a pararem de reforçar as suas forças militares junto da fronteira russa, ações que regularmente são denunciadas por Moscovo e que as vê como uma ameaça à sua segurança.

“A NATO deve pôr fim às suas ações de provocação perto das nossas fronteiras”, advertiu o porta-voz do Kremlin.

Os Estados Unidos, a NATO, a União Europeia e muitas capitais ocidentais já expressaram profunda preocupação nas últimas semanas com os movimentos de militares russos ao redor da Ucrânia, país que desde 2014 está em conflito com os separatistas pró-russos no zona leste.

Os assuntos que geram tensão entre Washington e Moscovo estão a multiplicar-se novamente, apesar do desejo de apaziguamento demonstrado por Putin e o seu homólogo norte-americano Joe Biden, expresso em junho na cimeira realizada em Genebra.

Nos últimos dias, os Estados Unidos têm acusado insistentemente a Rússia de procurar “interferir” na Bielorrússia usando a crise dos migrantes que estão às portas da União Europeia, além de denunciarem um disparo de um míssil anti-satélite russo, ato que consideraram de “perigoso e irresponsável”.

Estas tensões surgem numa altura em que as duas potências estariam a preparar uma nova cimeira entre os seus líderes.

JS // JH

Lusa/Fim

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