Filme luso-americano sobre tráfico humano mostra força do cinema independente

 O filme luso-americano “A Rapariga no Banco de Trás”, que se estreia a 16 de maio nos cinemas portugueses, é um testemunho da resiliência do cinema independente, disse à agência Lusa a protagonista, argumentista e produtora, Kika Magalhães. 

“Passámos muito para fazer este filme”, afirmou a atriz, que trabalhou com o realizador Nick Laurant e com o marido, o ator Chris Marrone, em Los Angeles, para concretizar um guião que escreveu com base em histórias reais de tráfico humano. 

“Foi difícil e ver o filme em grandes salas de cinema em Portugal é finalmente a nossa recompensa”, afirmou, considerando que a receção no país faz o projeto valer a pena. A distribuição está por conta da Vendetta Filmes.

Falado em inglês com várias cenas em português, “A Rapariga no Banco de Trás” conta a história de Sofia, uma emigrante portuguesa que é apanhada numa rede de tráfico humano em Los Angeles. Chamar a atenção para este submundo foi um dos objetivos de Kika Magalhães ao escrever o guião. 

“As pessoas pensam que isto só acontece em países subdesenvolvidos”, indicou. “Por isso queríamos que o filme fosse em Los Angeles, para mostrar que isto não acontece só no México. Que acontece em países grandes como os Estados Unidos”. 

A chegada a Portugal acontece depois de o filme ter andado no circuito internacional de festivais, incluindo “Dances With Films”, onde esteve em competição. A reação da audiência, contou Kika Magalhães, foi muito positiva. 

“As pessoas gostaram do filme”, afirmou. “Muitas ficaram comovidas”, continuou, salientando a importância de transmitir conhecimento sobre a realidade do tráfico humano — e o facto de não apanhar apenas pessoas nas franjas da sociedade. 

“Muita gente nem sabia que era um problema tão grande”, realçou a atriz, considerando que há um tabu associado a este submundo. 

“Vale a pena irem ver o filme para aprenderem sobre tráfico humano, é um tema muito importante”, continuou. “Fala-se pouco, acontece no mundo inteiro e é uma indústria que faz milhões por ano e ninguém fala nisso”. 

A sua personagem, Sofia, é vítima de Ryan (Chris Marrone), um jovem charmoso e aparentemente inofensivo. O elenco inclui ainda a atriz portuguesa Ana Lopes (no papel de Xana), Brooke Olivia Borges, que encarna Sofia em criança, Helen Day, Jasmine Akakpo, Frank Forbes e Travis Quentin. 

Filmada com um orçamento mínimo, que contou com muito trabalho ‘pro bono’ da comunidade artística, a longa-metragem obrigou os atores a trabalharem em condições por vezes difíceis. 

“Há cenas em que estou mesmo com a boca a tremer de tanto frio que estava”, recordou Kika Magalhães. “Fizemos quase todo o filme em novembro e depois filmámos pequenas coisas que faltavam em janeiro e em fevereiro”. 

Apesar da escassez de recursos, a atriz considerou que a arte independente vale a pena e encoraja outros cineastas a investirem em projetos nos quais acreditam, mesmo que não tenham as condições desejadas. “Acho que toda a gente deve seguir os seus sonhos”, sublinhou. “Tanto trabalho não pode ir em vão”. 

A atriz, natural de Famalicão e radicada nos Estados Unidos, também salientou que este é um momento em que há espaço para obras diferentes, que se distinguem dos grandes ‘blockbusters’. 

“Acho que mais do que nunca há vontade de ver coisas novas e originais”, considerou, referindo que muito do que tem saído dos grandes estúdios são ‘remakes’, sequelas e filmes de superheróis. 

“As pessoas que estão a financiar os estúdios estão com medo de apostar em projetos novos e originais, só estão a fazer as coisas que já têm uma audiência garantida”, apontou. 

“A Rapariga no Banco de Trás” vai estar nas salas NOS Alvaláxia, em Lisboa, Almada Fórum, Parque Nascente, no Porto, Gaia Shopping, Braga Parque, Alma Shopping, em Coimbra, Castello Lopes no GuimarãeShopping e no Cinema City Alegro.

ARYG // MAG

Lusa/Fim

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