EUA/Eleições: Guerra do Irão contribuiu para a derrota, mas voltaria a fazê-lo – Trump

 O Presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu hoje que a guerra no Irão contribuiu para a derrota histórica do Partido Republicano nas eleições intercalares, mas admitiu que voltaria a fazê-lo para impedir que Teerão tenha armamento nuclear.

Questionado pelos jornalistas sobre as declarações do seu vice-presidente, JD Vance, publicadas nas redes sociais, em que considerou que a guerra tinha sido “a razão da derrota”, Donald Trump respondeu: “Penso que isso é, em grande parte, verdade, porque fez subir um pouco os preços da gasolina a curto prazo”.

“Mas, ao mesmo tempo, se fosse para voltar a fazer, voltaria a fazê-lo porque, a longo prazo, é a única solução. Não podemos deixar que o Irão tenha uma arma nuclear”, acrescentou o chefe de Estado norte-americano, durante a sua primeira aparição pública após as eleições intercalares realizadas na terça-feira.

As declarações de Trump, proferidas durante um evento para apresentar as obras do Salão de Baile da Casa Branca, surgem pouco depois de Vance ter culpado a impopular guerra contra o Irão pela retumbante derrota republicana nas eleições de terça-feira.    

“A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio Presidente disse-o ontem [terça-feira] à noite”, escreveu Vance numa longa publicação na rede social X, horas após as projeções terem confirmado amplas maiorias democratas no Senado e na Câmara dos Representantes, o que complica os últimos dois anos do segundo mandato presidencial de Trump.

“Se quiserem argumentar que valeu a pena, que perder o Senado nos próximos seis anos valeu a pena, então façam-no. Argumentem que foi um custo que valeu a pena pagar. Concordem ou discordem, pelo menos isso é honesto”, acrescentou o vice-presidente.

Na extensa nota de reflexão publicada no X, na qual parece distanciar-se do Presidente norte-americano, Vance afirmou que “o principal problema não foi a participação” nas eleições, mas sim o facto de muitos dos que votaram na dupla republicana nas presidenciais de 2024 terem mudado de opinião e votado nos democratas na terça-feira.

“Haverá muitas disputas internas e discussões sobre o que aconteceu e porquê. Um dos especialistas em sondagens que mais respeito disse-me que a nossa mensagem económica não foi suficientemente contundente na reta final. Tenho a certeza de que isso é verdade. Mas a verdadeira razão pela qual perdemos é evidente para quase todos”, insistiu o vice-presidente, em outra referência à guerra.

A opinião de Vance sobre a guerra que os Estados Unidos e Israel lançaram contra a República Islâmica em 28 de fevereiro deste ano tem oscilado, mas prevalece numa ala do Partido Republicano que defende o mote “America First” (América Primeiro, em português), uma posição não-intervencionista.

Ainda assim, durante a campanha, Vance disse apoiar a ofensiva de Trump contra Teerão, mas avisou que queria evitar uma “guerra eterna”.

O político conservador adiantou que continua esperançoso em relação ao país e dirigiu-se àqueles que “estão furiosos” e querem dizer aos governantes “eu bem vos avisei”.

“Têm razão, vocês avisaram-nos mesmo. Canalizem essa energia para eleger republicanos que partilhem a vossa visão do mundo. Às pessoas que estão simplesmente furiosas com os resultados, têm motivos para estar”, continuou.

A longa declaração de Vance surge numa altura em que se perfila como potencial candidato para as próximas eleições presidenciais em 2028.

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Lusa/Fim

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