Documentário “The Beach Boys” revela imagens inéditas da banda que imortalizou Califórnia

O documentário “The Beach Boys”, que se estreia na sexta-feira, dia 24, no Disney+, revela imagens e sons inéditos da banda que se tornou o símbolo do sul da Califórnia e influenciou os Beatles nos anos sessenta. 

Realizado por Frank Marshall e Thom Zimny, o filme desenterra vídeos, fotografias e áudio que nunca tinham sido mostrados e inclui entrevistas com os membros sobreviventes da banda, Brian Wilson, Mike Love, Al Jardine, David Marks e Bruce Johnston. 

“Fazer documentários é como uma caça ao tesouro e nunca sabemos quando vamos encontrar uma pepita de ouro”, disse Frank Marshall numa conferência de imprensa sobre o filme em que a Lusa participou. “E encontrámos algumas”, continuou. “Foi uma jornada de descoberta e é emocionante perceber que encontrámos algo que nunca ninguém viu”. 

O foco dos criadores foi contar como a banda surgiu e o que a tornou tão influente, “e porque tiveram um impacto tão grande no negócio da música e nos amantes de música em todo o mundo”, explicou Marshall. 

Formada em 1961, a banda viria a ser citada pelos Beatles como enorme influência, em especial o álbum “Pet Sounds”, que o realizador Thom Zimny destacou. 

“A beleza de ‘Pet Sounds’, que é mostrada no filme e ouvida nas vozes dos rapazes, é que desafiou a ideia do que uma canção pop pode ser”, afirmou Zimny. “Criou uma nova paisagem sonora”. 

O som dos Beach Boys continua a ser citado como influência hoje, por artistas como Janelle Monáe, Haim, Weezer ou blink-182, e a banda e está novamente na estrada a dar concertos, 63 anos depois do início. Al Jardine, agora com 81 anos, considerou este o momento certo para o documentário. 

“Temos sorte porque conseguimos renovar-nos ao longo das décadas, com novos fãs e uma audiência inteiramente nova”, afirmou o músico. “Costumávamos dizer que atraíamos o grupo dos 8 aos 80 anos. Agora temos mesmo 80 anos”, gracejou. “E continuamos a atrair alguns deles”. 

Jardine refletiu na universalidade da música e na sua capacidade de se manter relevante com o tempo. “Penso que vai continuar para sempre, porque a música é fundamentalmente sólida”, afirmou. 

Mike Love, agora com 83 anos, descreveu a oportunidade de partilhar a história e sucessos da banda num documentário Disney como “fenomenal”, em especial neste momento da carreira. 

“Sinto-me honrado e maravilhado por estar a acontecer”, indicou, sublinhando que o lançamento do filme coincide com o 50.º aniversário do álbum “Endless Summer”, uma compilação que reuniu os maiores êxitos da banda – desde “Surfin’USA” a “I Get Around”. 

“É quase milagroso que, mais de 60 anos depois de termos começado, ainda estejamos a cantar estas canções e a receber uma grande resposta e apreciação”, disse Mike Love. 

No final de abril, os Beach Boys tocaram no festival Stagecoach em Indio, no mesmo local e com a mesma organização por detrás do Coachella. Foi uma das maiores multidões do festival. Seguiu-se o Lovin’ Life Music Fest na Carolina do Norte, e a banda tem mais concertos marcados em 2024. “É fácil seguir em frente, porque a música leva-nos para diante”, referiu Al Jardine. 

Mike Love admitiu que uma parte deste filme o deixa triste, porque Dennis Wilson e Carl Wilson já morreram e Brian Wilson passou por momentos muito difíceis. “Há ali alguma tristeza e melancolia, mas também muita apreciação pelo trabalho que fizemos juntos e pelo amor à música que nos uniu, apesar das diferenças individuais nalguns momentos”. 

Love também refletiu na forma como muitas das canções da banda trazem alegria em estado puro à audiência, como um dos seus hinos, “Good Vibrations”. “É por causa de todo o negativismo no mundo que a nossa música sempre foi uma libertação e alegria e celebração da vida”, disse Mike Love. 

“A música é imortal. Nós não somos, mas a música é”, afirmou.

ARYG // MAG

Lusa/Fim

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