Biden enaltece “acordos sociais históricos” alcançados na indústria automóvel dos EUA

 O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, saudou hoje os “acordos sociais históricos” alcançados entre o sindicato United Auto Workers (UAW) e os três gigantes da indústria automóvel General Motors, Stellantis e Ford, após várias semanas de greve.

“Estes acordos recorde recompensam os trabalhadores da indústria automóvel que fizeram muitos sacrifícios para manter o setor a funcionar” durante a grande crise económica de 2009, frisou o chefe de Estado norte-americano.

O UAW tinha anunciado no sábado um princípio de acordo com a fabricante automóvel Stellantis para pôr fim a uma greve que durava há quase seis semanas, com termos semelhantes aos alcançados há três dias com uma outra fabricante automóvel, a Ford.

Já a fabricante norte-americana General Motors celebrou hoje um princípio de acordo com este sindicato, noticiou a agência France-Presse (AFP) que confirmou o avanço das negociações com uma fonte ligada ao processo.

Vários meios de comunicação norte-americanos tinham noticiado anteriormente a conclusão de um acordo preliminar entre as duas partes, com a estação CNBC a sublinhar que as negociações continuaram até ao início da manhã de hoje para a sua finalização.

Biden fez do apoio aos sindicatos uma marca do seu mandato, e o apoio do UAW à sua candidatura de 2020 ajudou-o a virar Michigan a seu favor, depois deste Estado ter votado em Donald Trump em 2016.

Joe Biden, que chegou a fazer piquete de greve em frente a uma fábrica da GM no final de setembro, já tinha realçado este sábado que o acordo do UAW com a Stellantis era uma “recompensa para o sacrifício dos trabalhadores para reanimar a indústria automóvel” dos EUA.

O governante apontou também que o acordo é uma prova do poder dos sindicatos e da negociação coletiva para criar “empregos fortes para a classe média” e ajudar “as empresas americanas mais icónicas a prosperar”.

O UAW iniciou em 15 de setembro uma greve progressiva e simultânea na GM, Ford e Stellantis, sem precedentes na história do sindicato, na ausência de acordo sobre um novo contrato coletivo de trabalho.

Estes acordos preveem aumentos salariais durante a vigência dos acordos coletivos de quatro anos, medidas de ajuste de custo de vida, benefícios sociais, melhorias para aposentados, entre outros.

Também contêm especificidades dependendo do grupo, como na Stellantis em termos de emprego.

Este grupo comprometeu-se a criar 5.000 postos de trabalho, embora tivesse planeado cortes, nomeadamente no contexto do criticado encerramento de uma fábrica em Belvidere (Illinois) que está ‘salva’, segundo Rich Boyer, vice-presidente do UAW .

“Ganhamos um veículo novo em Belvidere”, garantiu no sábado.

O acordo com a Stellantis prevê um aumento de 25% nos salários base até 2028, segundo o UAW.

A Ford também concordou com um aumento de 25% no salário base, inferior aos 40% que Shawn Fain exigiu no lançamento da greve, mas significativamente superior aos 9% inicialmente propostos pelo grupo em agosto.

Os princípios de acordos ainda devem ser validados por uma comissão nacional do sindicato e depois ratificados por votação dos seus membros, o que pode demorar duas semanas, indicou uma fonte próxima das negociações na semana passada.

Mas o sindicato já anunciou que os funcionários da Ford e da Stellantis voltarão ao trabalho sem esperar por esses votos.

DMC (VQ) // PDF

Lusa/Fim

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