Amadeo de Souza-Cardoso integra exposição sobre Orfismo no Guggenheim de Nova Iorque

O artista português Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) vai estar representado entre uma centena de obras de uma exposição dedicada ao Orfismo em Paris, que é inaugurada em novembro, no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.

“Harmonia e Dissonância: Orfismo em Paris, 1910-1930” dá título à mostra dedicada à “vibrante arte abstrata do Orfismo”, um movimento da pintura francesa que nasceu a partir do cubismo, e que se tornou transnacional, com impacto na dança, a música e na poesia, anunciou o museu, na programação para o próximo ano.

Organizada por Tracey Bashkoff, diretora de coleções e curadora, e por Vivien Greene, curadora de arte do século XIX e início do século XX, a exposição irá exibir obras selecionadas de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Robert Delaunay, Sonia Delaunay, Marcel Duchamp, Mainie Jellett, František Kupka, Francis Picabia e dos sincronistas Stanton Macdonald-Wright e Morgan Russell.

Amadeo de Souza-Cardoso teve uma vida curta e intensa em Paris, onde fez contactos com os artistas modernistas, e regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial como um pintor reconhecido nos meios da vanguarda, tendo morrido com 30 anos, de gripe pneumónica.

Participou em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, e chegou a exibir e a vender o seu trabalho nos Estados Unidos, sendo considerado, pelo crítico de arte norte-americano Robert Loescher, “um dos segredos mais bem guardados do início da arte moderna”.

Em 2016, mais de 40 mil pessoas visitaram a exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto (que depois seguiu para o Museu do Chiado, em Lisboa), e, no mesmo ano, no Grand Palais, em Paris, uma outra exposição reuniu cerca de 250 obras em pintura, desenho e gravura do artista.

Robert Delaunay e Sonia Delaunay – um casal de artistas que se destacou no impulsionamento do Orfismo – viveram cerca de um ano em Portugal durante o período da primeira Guerra Mundial, e travaram conhecimento com os artistas portugueses Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, de quem se tornaram amigos.

“O Orfismo surgiu no início da década de 1910, quando as inovações trazidas pela vida moderna estavam a alterar radicalmente as conceções de tempo e espaço. Os artistas ligados ao Orfismo envolveram-se com ideias de simultaneidade em composições caleidoscópicas, investigando as possibilidades transformadoras da cor, da forma e do movimento”, contextualizou o Guggenheim num texto sobre a mostra.

A palavra orfismo fazia referência a Orfeu, o poeta-cantor da mitologia grega, e refletia o desejo dos artistas envolvidos em acrescentar um novo elemento de lirismo e cor ao cubismo intelectual de criadores como Braque, Picasso e Gris.

“Harmonia e Dissonância: Orfismo em Paris, 1910-1930” vai estar patente no Museu Guggenheim, em Nova Iorque, de 08 de novembro de 2024 a 09 de março de 2025.

AG // TDI

Lusa/Fim

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