Milhares desfilam no Porto pela habitação e avisam que “vieram para ficar”
Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado pelas ruas do centro do Porto contra a crise na habitação, numa marcha que juntou palavras de ordem, cartazes e música. O protesto, organizado pelo movimento Acampada, partiu da Praça da Batalha e seguiu em direção à Praça D. João I, onde estão previstas atividades e uma assembleia popular, pelas 19h30.
A concentração começou com cerca de 300 pessoas, mas o número de participantes aumentou à medida que a marcha avançava. Entre os manifestantes estava Maria Fontes, de 65 anos, que decidiu juntar-se aos mais jovens por considerar que «esta luta é por todos, não tem idade».
Na Rua de Santa Catarina, a manifestação despertou a curiosidade de turistas. Um visitante alemão, surpreendido pelo protesto, mostrou vontade de se juntar à marcha depois de perceber que a mobilização estava relacionada com o preço das casas.
O movimento também foi notado pelos comerciantes locais. Um dos responsáveis por um café ao longo do percurso considerou que a iniciativa estava a contribuir para o movimento no estabelecimento, com a venda de mais cafés e águas.
Ao longo da marcha, os manifestantes alternaram cânticos e palavras de ordem, defendendo a continuidade da mobilização. «A democracia está viva. Viemos para ficar e daqui não nos vão tirar», afirmaram.
Os protestos contra a crise na habitação começaram no Porto, a 10 de outubro, e alargaram-se a Lisboa e a outras cidades do país. As mobilizações surgem numa altura em que a nova lei do arrendamento foi aprovada na generalidade no Parlamento e se encontra em discussão na especialidade.
Promovidas por movimentos cívicos e divulgadas através das redes sociais, as iniciativas exigem medidas para responder à crise habitacional, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e a criação de impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, os participantes numa acampada no Porto denunciaram uma intervenção policial durante a madrugada que, segundo o movimento, provocou ferimentos em 39 manifestantes, dois dos quais em estado grave, e num agente policial.
Em Lisboa, as autoridades retiraram dezenas de tendas instaladas no Rossio na manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que deverão ser presentes a juiz no dia 27.