Senado dos EUA aprova nomeação de Todd Blanche para secretário da Justiça

O Senado norte-americano aprovou hoje a escolha de Todd Blanche, antigo advogado pessoal de Donald Trump, para assumir formalmente o cargo de secretário da Justiça, que já ocupava interinamente desde abril.

O Presidente norte-americano conseguiu assim nomear definitivamente um dos seus aliados para este cargo estratégico, que supervisiona todo o Ministério Público federal e os respetivos procuradores, por uma votação apertada de 50 votos contra 49, apesar da oposição de alguns senadores do seu próprio partido.

A oposição democrata votou em bloco contra a nomeação, denunciando a utilização pelo Governo Trump do Departamento de Justiça como uma arma política contra os seus adversários.

“Sinto-me profundamente honrado pela confiança que o Presidente Trump depositou em mim para liderar o Departamento de Justiça como o 88.º Procurador-Geral da nossa grande nação”, escreveu Blanche na rede social X, agradecendo também ao Senado e aos “servidores dedicados do Departamento de Justiça”.

Todd Blanche tornou-se conhecido do grande público como advogado pessoal de Trump em três processos criminais que visaram o magnata antes do seu regresso à Casa Branca, nomeadamente o relacionado com pagamentos ocultos a uma antiga atriz de filmes pornográficos, Stormy Daniels.

O processo resultou, na primavera de 2024, na condenação criminal de Trump, a primeira de um antigo Presidente norte-americano.

Depois de regressar à Casa Branca, Donald Trump nomeou Blanche para ‘número dois’ do Departamento de Justiça, juntamente com outros seus antigos advogados, nomeadamente Pam Bondi, como secretária da Justiça.

Contudo, no meio do caso Jeffrey Epstein, que se revelou extremamente embaraçoso para a Administração norte-americana, Trump afastou Bondi no início de abril de 2026, confiando imediatamente o cargo interinamente a Todd Blanche, que já estava na primeira linha no julgamento do financeiro e abusador sexual de menores norte-americano, que morreu na prisão.

A confirmação da sua nomeação pelo Senado, exigida pela Constituição, teve desde então um percurso atribulado.

Dois senadores da maioria republicana, John Cornyn e Thom Tillis, exigiam que a Administração Trump abandonasse definitivamente – ou, pelo menos, impusesse importantes restrições – a duas iniciativas amplamente contestadas.

Uma delas dizia respeito a um fundo denominado “anti-instrumentalização” da Justiça, no valor de cerca de 1.800 milhões de dólares (1.557 milhões de euros), destinado a compensar financeiramente aliados de Trump por processos instaurados durante a presidência de Joe, considerado uma “caixa negra” pela oposição democrata.

A outra pretendia conceder imunidade fiscal ao Presidente republicano e às pessoas próximas dele.

Perante várias decisões judiciais, a Administração declarou ter abandonado o projeto do fundo de indemnização, mas os dois senadores republicanos exigiam garantias por escrito de que a iniciativa não seria recuperada no futuro.

Foi finalmente isso que Todd Blanche fez no domingo passado, satisfazendo as reservas dos dois senadores. Na terça-feira, a Comissão Judiciária do Senado deu o seu aval, abrindo caminho à votação por todos os senadores.

A minoria democrata, por seu lado, atacou repetidamente Todd Blanche, descrito como uma das principais figuras da campanha de retaliação lançada pela Administração Trump contra os adversários do Presidente.

Pouco depois de assumir a liderança do Departamento de Justiça, em abril, o Ministério Público federal acusou formalmente o antigo diretor do FBI James Comey, um dos alvos designados da ira do Presidente.

O senador democrata Dick Durbin acusou na terça-feira Todd Blanche de “continuar a atuar como advogado pessoal do Presidente, utilizando o Departamento de Justiça como um escritório que serve apenas um cliente: o Presidente”.

Questionado sobre os seus laços de amizade com Trump durante a audição perante a Comissão Judiciária do Senado, Blanche cometeu, aliás, um lapso. “Sou seu advogado”, declarou, antes de se corrigir imediatamente e colocar a frase no passado: “era seu advogado”.

JSD // JMC

Lusa/Fim

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