FBI investiga morte ou desaparecimento de cientistas, incluindo português Nuno Loureiro
O FBI confirmou estar a investigar possíveis ligações entre cerca de uma dezena de casos de cientistas e funcionários de laboratórios de tecnologia nuclear ou espacial que desapareceram ou morreram nos últimos anos, incluindo o português Nuno Loureiro.
Num comunicado divulgado na terça-feira, o Departamento Federal de Investigação norte-americano (FBI, na sigla em inglês) afirmou estar a liderar “os esforços para encontrar conexões” entre os casos.
O Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e as polícias estaduais e locais estarão a auxiliar na investigação, segundo a imprensa norte-americana.
Embora não haja ligações óbvias entre os casos, têm circulado nas redes sociais uma série de suposições e alegadas teorias de conspiração que chegaram até à Casa Branca (presidência norte-americana).
“É um assunto bastante sério (…). Espero que seja uma coincidência ou como queiram chamar”, disse o Presidente norte-americano, Donald Trump, em declarações a jornalistas na passada quinta-feira, após ter sido questionado sobre o assunto, indicando na mesma ocasião que mais informações seriam divulgadas nos próximos dias.
Quatro dos casos estão ligados ao Condado de Los Angeles.
As autoridades estão a investigar se existe alguma conexão entre as circunstâncias da morte ou desaparecimento de Carl Grillmair, um astrofísico do Centro de Processamento e Análise de Infravermelho do Caltech, e três especialistas do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA: Michael David Hicks, Frank Maiwald e Monica Jacinto Reza.
Grillmair morreu em fevereiro passado, aos 67 anos, enquanto Hicks e Maiwald morreram em 2023 e 2024, respetivamente. Monica Jacinto Reza desapareceu em junho passado enquanto fazia uma caminhada com um amigo num trilho na Floresta Nacional de Angeles.
Estes casos somam-se ao do major-general reformado William Neil McCasland, de 68 anos, que foi visto pela última vez no final de fevereiro na sua casa em Albuquerque, Novo México, e está desaparecido.
De acordo com dados citados pela estação Fox, McCasland liderou algumas das investigações aeroespaciais mais avançadas do Pentágono (Departamento de Defesa) e dirigiu o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea.
Jason Thomas, diretor assistente de biologia química na Novartis, desapareceu em dezembro passado em Massachusetts. O seu corpo foi encontrado três meses depois num lago. A polícia não encontrou indícios de crime.
Existem outros casos, como a morte de Amy Eskridge em junho de 2022 no Alabama, causada por um ferimento de bala autoinfligido.
A morte da cientista, que trabalhava no Instituto de Ciência Exótica, chamou a atenção do público devido às suas alegações de uma “guerra psicológica” destinada a impedir o seu trabalho na área da antigravidade, conforme afirmou num ‘podcast’.
O FBI também está a investigar a morte do cientista português Nuno Loureiro, que foi morto a tiro na sua residência em Massachusetts em dezembro passado. As autoridades atribuíram o crime ao também português Cláudio Neves Valente, a quem responsabilizaram igualmente por um massacre na Universidade Brown.
Nuno Loureiro, que tinha 47 anos quando foi morto, dirigia o Centro de Ciência do Plasma e Fusão do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), além de ser um especialista mundialmente reconhecido em fusão nuclear.
A lista de casos completa-se com os desaparecimentos dos especialistas Melissa Casias, Anthony Chávez e Steven García.
MYMM // SCA
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