Senado dos EUA reabre, Câmara dos Representantes permanece fechada

O Senado reabriu hoje portas, apesar de Washington ainda ser um foco de contágio do novo coronavírus (covid-19), mas a Câmara dos Representantes permanece fechada, simbolizando a atual divisão do Congresso dos Estados Unidos.

Os cem membros do Senado, câmara alta do Congresso, reuniram-se hoje pela primeira vez desde março, enquanto a Câmara dos Representantes, câmara baixa do Congresso, se mantém encerrada devido aos riscos sanitários.

A capital norte-americana, Washington, permanece um foco do vírus, apesar das imposições de confinamento.

Na retoma dos trabalhos, os senadores têm de usar máscara e manter o distanciamento, deixando a maioria das suas equipas de apoio em casa. O acesso público é limitado e os visitantes continuam proibidos de visitar o edifício do Capitólio, onde permaneceram, durante as cinco semanas de encerramento, funcionários de limpeza e de cozinha e agentes policiais.

O Congresso permanece dividido quanto aos apoios a disponibilizar para enfrentar a pandemia, que já causou 68.285 mortos nos Estados Unidos, número um da tabela igualmente para os casos de infeção confirmados (mais de 1,1 milhões).

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, abriu a sessão de hoje sem falar na pandemia.

“Temos um trabalho importante a fazer em prol da nação”, disse, defendendo que os senadores são “trabalhadores essenciais”.

A ala republicana tem minado os esforços da ala democrata, liderada pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, mostrando-se relutante em libertar fundos federais extraordinários, além dos quase três biliões de dólares já aprovados pelo Congresso para impulsionar a economia, que sofreu um duro impacto com esta crise.

Os democratas estão a preparar um novo pacote de ajudas que deverão revelar em breve.

No fim de semana, e depois de o gabinete médico do Congresso ter informado de que não existem condições para realizar testes ao vírus a deputados, assessores e funcionários, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu acesso ao sistema usado na Casa Branca para testar visitantes.

Num comunicado conjunto inédito, republicanos e democratas (McConnell e Pelosi) rejeitaram “respeitosamente” a oferta presidencial, preferindo que os recursos sejam encaminhados para a linha da frente de combate ao novo coronavírus, “onde podem ser mais úteis”.

Trump reagiu hoje, numa publicação na rede social Twitter, lamentando que o Congresso se considere “não essencial”.

Na mesma mensagem, Trump diz que os Estados Unidos já realizaram 6,5 milhões de testes, o que representa “mais do que qualquer outro país no mundo”. Ora, a equipa de verificação de factos da agência Associated Press publicou um texto garantindo que o que o Presidente diz “não é nem de perto verdade”.

No total, “mais de 40 outros países já testaram uma proporção maior das suas populações do que os Estados Unidos”, incluindo Rússia e Canadá, países com uma área comparável, conclui a AP.

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