Trump acusa políticos democratas do Minnesota de “incitar à insurreição”

O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou o autarca da Câmara de Minneapolis e o governador do estado do Minnesota de “incitar à insurreição”, justificando a ação dos agentes federais, que mataram hoje um homem a tiro naquela cidade.

“O presidente da câmara e o governador estão a incitar à insurreição com a sua retórica pomposa, perigosa e arrogante”, lê-se numa publicação de Donald Trump na sua plataforma Truth Social, na qual o presidente norte-americano defende que a polícia anti-imigração (ICE, na sigla em inglês) deve ser deixada em paz para “fazer o seu trabalho”.

Agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos mataram hoje de manhã um homem na cidade de Minneapolis, confirmou o chefe da polícia local, Brian O’Hara.

Momentos antes, o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, tinha denunciado “mais um tiroteio horrível por agentes federais”, pedindo ao conservador Donald Trump para acabar com a operação anti-imigração e retirar “milhares de agentes violentos” daquele estado norte-americano.

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse à agência de notícias Associated Press, através de mensagens de texto, que a pessoa tinha uma arma de fogo com dois carregadores e que a situação estava “em evolução”.

Numa conferência de imprensa, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, indicou que a polícia recebeu “um relato de tiroteio” às 09:03 locais (15:03 em Lisboa) na zona sul da cidade, envolvendo agentes da polícia anti-imigração.

A polícia não recebeu qualquer informação das autoridades federais, mas o responsável remeteu para um vídeo que está a circular nas redes sociais – que mostra vários homens com a cara tapada e com a inscrição ‘Police’ na roupa a derrubar um homem, antes de disparar várias vezes -, acrescentando: “O vídeo fala por si”.

“Acreditamos que é um cidadão norte-americano”, disse.

O responsável policial indicou ainda que, quando a polícia chegou ao local, encontrou “um homem adulto com múltiplos ferimentos por bala”, que estava a receber “manobras de reanimação”, mas foi declarado morto no Centro Médico do Condado de Hennepin, para onde foi transportado de ambulância.

Questionado sobre as declarações do Departamento de Segurança Interna de que o homem estava armado, O’Hara reiterou não ter relatos oficiais dos acontecimentos.

Agentes do ICE teriam ordenado à polícia do Minnesota que abandonasse o local, no sul da cidade, mas o chefe da polícia local recusou, segundo o jornal The Minnesota Star, citado pela agência Europa Press.

Brian O’Hara ordenou aos agentes que guardassem o local, cancelou todas as licenças e chamou todos os agentes para trabalhar, exceto os do turno da noite.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, voltou a apelar à saída dos agentes federais da cidade, como tem feito desde que um elemento do ICE matou a cidadã norte-americana Renee Good, em 07 de janeiro.

“Quantas vidas mais terão de ser perdidas antes que esta administração perceba que uma narrativa política e partidária não é tão importante como os valores americanos”, questionou, sublinhando que “isto não é uma questão partidária, é uma questão americana”.

Dirigindo-se ao Presidente dos Estados Unidos, perguntou: “Quantas vezes é que os líderes locais e nacionais têm de lhe implorar, Donald Trump, para que acabe com esta operação e reconheça que isto não está a criar segurança na nossa cidade?”.

Na sexta-feira, recordou, 15.000 pessoas protestaram “pacificamente”, sem que se registasse “uma única janela partida, um único ferimento”.

“Por outro lado, uma força militarizada em massa e agentes não identificados ocupam as nossas ruas. É isso que enfraquece o nosso país. É isso que corrói a confiança tanto nas forças de segurança como na própria democracia”, lamentou.

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte de Renee Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente do ICE quando conduzia o seu veículo, embora o governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo interno”.

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de cinco anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas, aumentou a indignação de muitos cidadãos que acusam o ICE de abuso.

JRS (JH/ATR) // VAM

Lusa/Fim

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