NATO: Pedir mais investimento em defesa “não é hostil” – Rubio

O secretário de Estado norte-americano considerou hoje em Lisboa que o apelo para investir mais em defesa no âmbito da NATO “não é algo hostil” e declarou a disponibilidade dos Estados Unidos (EUA) para “partilhar o peso” da despesa.

“Aplaudimos o trabalho, e sei que é difícil, mas o compromisso que [Portugal] assumiu e que está a cumprir ao gastar mais – e nem quero usar o termo gastar mais – investir mais em defesa e estar no caminho certo para cumprir todos os compromissos assumidos em Haia até ao ano de 2035. E destaco sempre isto porque as pessoas por vezes veem este apelo para investir mais em defesa como algo hostil”, declarou Marco Rubio, durante uma conferência de imprensa após um encontro com o homólogo português, Paulo Rangel, em Lisboa.

“Não é algo hostil, pelo contrário, o que estamos a argumentar é que a NATO é importante”, salientou.

Antes, na sua intervenção inicial perante os jornalistas, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que Portugal concorda com o apelo norte-americano para que os países europeus membros da NATO “assegurem e se responsabilizem em primeira linha pela sua defesa”.

“Temos vindo a fazer um esforço orçamental que atingiu os 2% [do Produto Interno Bruto] já em 2025 e, portanto, fez uma transição de quase 1,6 para 2 num ano com grande exigência e vai continuar com certeza a cumprir os objetivos da NATO, que são os objetivos de 5% [de investimento em defesa] e, num futuro de médio prazo, com 3,5% em defesa e 1,5% em investimentos ligados à defesa”, afirmou Paulo Rangel.

“Para nós, a NATO é um pilar fundamental da nossa defesa e da nossa segurança, e é, portanto, uma das prioridades na nossa política externa. Continuamos a obviamente considerar que esta relação é fundamental”, destacou ainda Rangel.

Por seu lado, Rubio considerou que “para a NATO importar, a NATO tem de ser forte” e, para isso, “os Estados-membros da NATO têm de ser fortes”.

“E, para os Estados-membros da NATO serem fortes, têm de ter capacidades”, referiu.

“Agora, cada país tem um tamanho e proporções diferentes. Alguns países podem contribuir mais do que outros. Mas cada país da NATO precisa de ser tão forte quanto possível, porque quanto mais fortes forem os membros da NATO, mais forte é a NATO, mais fortes são as alianças e mais forte é a dissuasão”, considerou.

Para o governante norte-americano, a NATO é essencialmente “uma aliança defensiva que atua como um elemento dissuasor contra a hostilidade”.

“E tem-nos servido bem durante décadas. E se queremos que continue a servir-nos, temos de garantir que é forte”, assinalou, antes de destacar a disponibilidade da administração norte-americana, liderada por Donald Trump, para partilhar a despesa.

“Esperamos com expectativa partilhar o peso da defesa no futuro, e esperamos colaborar na construção da próxima geração de armamento e da tecnologia militar avançada que será necessária para dissuadir os adversários do futuro”, salientou.

JH // SCA

Lusa/Fim

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