Comunidade Portuguesa de New Jersey de luto pela morte de Albert Coutinho
A morte do ex-deputado de Nova Jérsia Albert Coutinho, que perdeu a vida no domingo na sequência de um acidente de viação, está a abalar a comunidade portuguesa desse estado norte-americano, multiplicando-se as homenagens ao líder comunitário.
Coutinho, de 56 anos, envolveu-se numa forte colisão entre dois veículos na cidade de Newark, na manhã de domingo, tendo sofrido um ataque cardíaco fatal no local, segundo a imprensa norte-americana.
A morte deste luso-americano gerou imediatamente uma enorme onda de consternação na comunidade portuguesa de Nova Jérsia, mas também junto das autoridades locais.
O autarca de Newark, cidade que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos, lamentou a morte de Coutinho, a quem classificou como um “querido gigante da comunidade” e “um pilar central da comunidade portuguesa, do bairro Ironbound e da cidade como um todo”.
“Junto-me a toda a cidade de Newark em choque e tristeza com a perda repentina de Albert Coutinho (…). Como ex-representante do 29.º Distrito Legislativo de Nova Jérsia durante mais de cinco anos, Alberto lutou pela criação de empregos, espaços de lazer e reformas de reinserção no mercado de trabalho, que ajudaram a fortalecer a nossa cidade”, escreveu Ras Baraka num comunicado.
“Como um ávido fã de futebol, deu prioridade ao seu papel de treinador de futebol para os nossos jovens. O Festival Anual do Dia de Portugal, tão sensacional que é conhecido a nível nacional, foi criado pela sua família e supervisionado com entusiasmo por Alberto todos os anos”, recordou o ‘mayor’.
O ex-político era filho de Bernardino Coutinho, fundador dos festejos do Dia de Portugal em Newark e de uma fundação que promovia a cultura portuguesa e a inserção da comunidade na sociedade norte-americana, e que morreu em 2016.
O senador democrata Cory Booker foi uma das figuras de destaque da política norte-americana a recordar o legado de Coutinho, descrevendo-o como um dedicado funcionário público e líder comunitário, elogiando a sua compaixão.
“Desde treinar inúmeras crianças no bairro de Ironbound até liderar com coração na nossa Assembleia Legislativa, foi um servidor em todos os sentidos. A sua generosidade e devoção tocaram muitas pessoas. As minhas orações estão com a sua família e com todos os que o amavam”, escreveu o senador, na plataforma X,.
Junto da comunidade luso-americana registaram-se igualmente inúmeras homenagens, que lembraram as décadas de contributo e dedicação de Coutinho à preservação da herança e das tradições portuguesas nos Estados Unidos da América.
Vários clubes e associações portuguesas divulgaram notas de pesar, como foi o caso do centenário Sport Club Português, do qual Coutinho foi diretor e era sócio benemérito.
O Albert “foi muito mais do que um dirigente, foi um homem de coração generoso, sempre disponível para servir, apoiar e unir. A sua dedicação, amizade e espírito de comunidade deixaram uma marca muito especial no Sport Club Português e na vida de todos os que tiveram o privilégio de o conhecer”, enalteceu a organização cultural.
A empresária luso-americana Isabelle Coelho-Marques, fundadora da empresa de relações públicas Plusable e que atua no estado norte-americano de Nova Jérsia, destacou: “enquanto Newark chora a perda de um funcionário público e antigo deputado estadual, a comunidade chora algo muito mais pessoal: um dos nossos — um bom filho, um bom irmão, um bom tio”.
“O Albert representava uma história profundamente familiar para muitos de nós. A história de um filho de uma família imigrante que chegou com pouco, construiu a sua vida com trabalho árduo e retribuiu às comunidades que os moldaram. Ele não carregava apenas essa história — ele vivia-a”, escreveu Isabelle, nas suas redes sociais.
A morte de Coutinho aconteceu cerca de dois meses após ter recebido um indulto do agora ex-governador de Nova Jérsia, num último ato de clemência antes de deixar o cargo.
O ex-deputado estadual democrata declarou-se culpado de desviar fundos da fundação beneficente da sua família, tendo sido condenado a três anos de liberdade condicional em 2013.
Como parte de um acordo judicial no âmbito desse processo, Coutinho concordou em nunca mais ocupar um cargo eletivo ou um emprego público no estado. Contudo, o indulto concedido em janeiro por Phil Murphy ofereceu-lhe novamente essa perspetiva.
MYMM // VM
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